sexta-feira, 29 de abril de 2011

Prudência e caldo de galinha não faz mal a ninguém

A imprudência tem se tornado um instrumento de transformação das questões lógicas em questões especialmente complicadas, sempre que se procura defender direitos individuais e coletivos se choca com o poder de tomada de decisões, este nas mãos de pessoas que, também detêm o poder econômico, por isso é especialmente arriscado lutar pela defesa de certas coisas que dependem de alguém a quem o povo delegou poderes, pois estes pensam que todo poder lhe foi dado e que, em nome da representatividade, podem fazer tudo o que bem quiserem, da forma que quiserem e está tudo certo. Certo?

Não sei. Só me lembro que eu sempre preguei o cuidado com estas questões em função de eu acreditar que quando os detentores da representatividade se sentem ameaçados pelo poder da mobilização dos movimentos populares, eles invertem o eixo político da coisa e fazem tudo da maneira que eles bem desejam sem se preocuparem com as consequências.

Estamos diante de uma questão que há muito deveria ter sido tratada com responsabilidade e respeito aos cidadãos, pois estes merecem conhecer a forma como é tratada a coisa pública, contudo as questões políticas devem ser tratadas com prudência e observância às questões sociais. Os governantes têm se mostrados incompetentes para frear a violência urbana e esta se alastra por todos os tecidos sociais causando insegurança ao cidadão até dentro de sua própria casa. Foi o que vimos na última semana, as forças de segurança não foram capazes de evitar o assalto à agência do Banco Santander situada dentro do Quartel da Polícia Militar da Amapá, além de não estar se mostrando capaz de encontrar os bandidos. Como então, será capaz de proteger os Servidores Públicos, agora à mercê dos meliantes que atuam no Amapá.

Lutávamos por transparência com as contas públicas e recebemos como prêmio a violação dos sigilo salariais. Os valores recebidos pelos Servidores por seus serviços prestados ao Estado agora está à disposição dos bandidos que, com simplesmente alguns cliks encontram na Internet o valor dos seus vencimentos mensais, e com outros tantos cliks encontram número de telefone e endereço para então programarem quem e quantos Servidores serão assaltados a cada final de mês, quando do recebimento dos seus vencimentos.

Poderia o Governador, com seu aparato de Segurança Pública proteger a todos?

Pense nisso, nobre Governador.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Isto é uma relação de amor e ódio


Um breve olhar sobre o que se convencionou chamar de evolução da humanidade mostrará que, desde o homem primitivo até os nossos dias, ocorreu uma vertiginosa e fulminante aceleração do processo de desenvolvimento mundial. Essa mudança exige intensificação das relações humanas, aumento de atividade e necessidade de novos conhecimentos, como acesso a internet, operar painel de telefone celulare, operar caixa eletrônico nos bancos, etc.

Em face das necessidades do mundo atual, o homem tem se esforçado para melhor se adaptar a seus semelhantes, buscando amenizar conflitos e antagonismos e favorecer a participação, a colaboração e a cooperação entre os povos.

Para melhor corresponder aos imperativos do momento e compreender a vida em sociedade, o homem precisa, basicamente, de reflexão e planejamento. Pela reflexão ele desenvolve níveis cada vez mais aprimorados de discernimento, compreensão e julgamento da realidade, favorecendo a conduta inteligente em situações novas de vida. Pelo planejamento ele se organiza e disciplina suas ações partindo sempre para realizações mais complexas e requintadas.

A globalização enfatiza o pensamento reflexivo sobre o ato de planejar exigindo que professores e escolas estejam sempre atentos às mudanças para que possam redirecionar e redimensionar a ação educadora para a formação do cidadão orientada pelas diretrizes globais materializadas na volatilidade do capital que com o seu poder sobre a necessidade do lucro vai e volta para e de onde lhe for mais conveniente, isso nos remete para a necessidade de formar cidadoas e mão-de-obra para a grande disputa nesse impiedoso mercado de trabalho, além de que, será um grande erro pensar a globalização da economia e da produção dissociadas da globalização do conhecimento.

A Instituição Escola caminha a passos lentos em relação a essas questões, pois enquanto outras instituições produtoras de bens e serviços avançam rumo ao desenvolvimento tecnológico, esta ainda se debate em busca de instrumentos obsoletos para dar suporte ao trabalho de produção do conhecimento no seu interior. A maioria das escolas não possui sequer uma biblioteca e, quando existe, parece, mais um amontoado de livros velhos em espaço inadequado para a construção do saber. A maioria delas ainda se encontra reproduzindo material didático em mimeógrafo a álcool enquanto a tecnologia avança nas outras áreas de produção.

A Informática tem se apresentado como um instrumento tecnológico de grande significado e significante no apoio ao ato pedagógico e, a Escola reconhece que a exploração racional dos recursos tecnológicos representa um grande avanço no processo de combate ao analfabetismo digital podendo contribuir significativamente para a consecução dos objetivos e metas do Plano Nacional de Educação oportunizando aos alunos o contato imediato com a tecnologia de Informática e, assim, melhorar a qualidade dos serviços prestados pela Escola.

Mas se a Escola reconhece isso, os políticos não. Claro que eu sei que haverá sempre alguém para dizer, “há ... já vai querer colocar a culpa nos políticos”. Então vejam: a inclusão digital, a informática educativa, a informatização dos sistemas e muitos outros conceitos foram incorporados aos discursos dos políticos sem que eles tenham, sequer, a compreensão dos seus significados, mas sabem cobrar resultados que necessitam da utilização plena e correta desses conceitos. Há alguns anos, não faz muito tempo, a Assembleia Legislativa aprovou uma lei criando a Disciplina Informática Educativa e instituiu os LIEDs – Laboratórios de Informática Educativa, nas escolas, o governador – da época – sancionou-a, mas não houve preocupação em construí-los para que se pudessemos ministrar a Disciplina. Ora, a partir daí, todas as escolas da Rede de Educação Básica deveriam ser dotadas de LIED e assim ministrar a Disciplina, mas isso não aconteceu. As escolas ficam sem o apoio tecnológico, mas com a responsabilidade de formar cidadãos e mão de obra para abastecer este famigerado mercado tecnológico.

À luz do meu entendimento, é de uma irresponsabilidade muito grande aprovar leis sabendo que não há recursos e que não se vai destiná-los para a sua implementação.

Olhem aí, senhores políticos, o que vocês estão fazendo.


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Seria acromatopsia sistêmica?


Quem observar um fenômeno com uma visão puramente holística tornar-se-á daltônico em relação ao processo, por isso é especialmente difícil compreender o fenômeno educacional sem observar os aspectos lógicos acerca dos princípios fundamentais da Escola e suas implicações sociais. Quem se preocupar em compreender tais questões terá que se debruçar sobre a relação da Escola com a Família e com a Sociedade, e nessa análise compreenderá que a Escola tem duas funções naturais, a saber: uma lógica e outra social. A função social está diretamente ligada ao termo inserção da pessoa ao convívio da sociedade; a função lógica relaciona-se com os princípios fundamentais da sistematização do saber historicamente acumulado – o que chamamos de herança cultural da humanidade –, assim compreende-se que a educação da pessoa começa em casa, passando pela sociedade recebendo a complementação da Escola através do desenvolvimento dos princípios normativos e formais do raciocínio e do poder de argumentação.

Ocorre, porém que ao longo das relações de poder se provocou uma desestruturação gradual da Família a ponto de desqualificá-la para essa função importantíssima de educar seus próprios filhos, ficando tal responsabilidade para a Escola, assim, se observa no interior do recinto escolar que professores são obrigados a deixar de lado as suas funções relacionadas com os princípios lógicos da Escola para se dedicarem às ações que deveriam ser de responsabilidade da Família. A Escola passou então a cuidar da formação do caráter, da higiene, da responsabilidade com a saúde da criança, ensinando-a a escovar os dentes, tomar banho, cortar as unhas, pentear os cabelos, etc., o que ocupa o espaço e o tempo que deveriam ser utilizados para o trato das questões de raciocínio lógico e da argumentação.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais enfatizam a importância dessas ações no que chama de Temas Transversais que, à luz dos meus entendimentos são interessantíssimos para ajudar no desenvolvimento do poder de argumentação da criança quando de sua formação escolarizada, ocorre, porém, que a maioria dos professores faz coro cerrado ao discurso do Sistema de Ensino acerca da priorização dos Temas Transversais como Disciplina. Ora os Temas Transversais não são novidades na Educação Escolarizada, vieram apenas oficializar o que, até antes da promulgação da Lei 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – se chamava de “Currículo Oculto”. Essa visão sistêmica leva ao entendimento da necessidade de formar superprofissionais para lidar com a complexidade dos problemas da Educação, mas a meu ver, essa necessidade é irreal porque não haverá superprofissional que supere os obstáculos interpostos pela desarticulação das ações da Escola com a Família e com a Sociedade, sem que se promova o reordenamento de tais relações redistribuindo as responsabilidades para cada uma das instituições. Dessa forma cada uma cuidando do que lhe compete sobraria tempo para a Escola cuidar da formação do aluno baseada nos princípios normativos e formais do raciocino, assim quando o SAEB viesse fazer a avaliação da aprendizagem infantil a faria dentro de uma peculiar realidade, o que ocorre hoje é completamente inverso, a Escola cuida da formação doméstica do aluno e o SAEB avalia os princípios lógicos.



terça-feira, 19 de abril de 2011

O Velho

Em todas as minhas andanças pelo interior da vida dividi com as pessoas humildes várias experiências e sabedorias, dentre elas a mais interessante é a que eu vou lhes contar agora.
Um velho padre trabalhava em uma comunidade do interior. Certo dia seus superiores decidiram aposentá-lo por causa da idade, mas ele pensava que a sabedoria construída com a experiência dos longos anos de vida religiosa dedicados àquela comunidade ainda era mais importante do que a necessidade de aposentar um velho padre desejoso de continuar cumprindo sua missão de educar e evangelizar. Em meio aos devaneios e angústias, ele lembrou-se de que ao se ordenar havia feito votos de obediências, então, mesmo contra a sua própria vontade resolveu aceitar a aposentadoria. Era uma tarde de sexta feira quando chegou um jovem padre para substituí-lo.
Padre, eu vim para substituir o senhor, agora vamos cuidar dos atos transitórios, o senhor celebra a missa de domingo e viaja segunda feira. O velho padre disse não filho, se você veio para me substituir, você celebra logo a missa de domingo e vai logo se acostumando com a sua nova missão, e o jovem padre disse: padre o senhor sabe que situações novas causam sempre insegurança e esta leva a erros, para evitar isso o senhor celebra e me apresenta para os fiéis e, a partir da próxima semana eu já estarei acostumado e mais seguro para celebrar, e o velho padre respondeu, filho não se preocupe com isso, se você sentir dificuldades, naquele armário em baixo da escrivaninha na sacristia tem uma garrafa de vinho, tome meia taça.
Domingo, oito horas da manhã a igreja estava cheia de fiéis para conhecer o jovem padre e assistir ao primeiro sermão dele. O velho padre chegou pela porta da frente da igreja e ficou em pé, escorado na porta. Começou a missa, os fiéis oravam e cantavam com alegria. Chegou a hora do sermão, o jovem padre começou a homilia e os fiéis começaram a se retirar de um a um até que a igreja ficou completamente vazia, o jovem padre desceu do altar e foi ter com o velho padre na porta da igreja e disse: padre, pelo amor de Deus me diga quais foram os erros que eu cometi para que eu os corrija a todos. O velho padre respondeu: não se preocupe filho, você só cometeu dois errinhos, o primeiro é que eu mandei você tomar meia taça de vinho, não a garrafa toda como você tomou e, o segundo é que Caim matou Abel com uma “porrada” na cabeça, não com um chute no “culhão” como você disse aí.
Terminado a dialogo, os dois seguiram para a casa paroquial, esta ficava nos fundos da igreja de frente para um pequeno lago em cujas margens havia algumas arvores e um gramado com alguns animais pastando ao sabor da brisa que soprava do lago. No velho trapiche à sombra de uma secular sucupireira, sentados em troncos de madeira, o jovem padre voltou a conversa sobre seus erros durante o sermão, perguntando: então padre, eu sou mesmo um desastrado, só sirvo para fazer besteiras? Ao que recebeu como resposta: não filho, a vida é assim mesmo, as pessoas são propensas ao erro. O livre arbítrio é o divisor entre o ser e o não ser; a prudência é o divisor entre a inteligência e a sabedoria.
       Então padre, quer dizer que aqui está se travando um dialogo entre a sabedoria e a inteligência?
       Eu não diria que sim filho. Apesar de distintas, inteligência e sabedoria não são inimigas. Há, contudo, uma grande diferença entre as ações do inteligente e as ações do sábio, este procura utilizar com racionalidade os conhecimentos produzidos por si e por outrem, enquanto aquele produz muito conhecimento, mas nem sempre os usa com racionalidade. O homem precisa refletir sobre as ações anteriores para corrigir seus erros e assim ordenar as ações futuras e nunca se prestar a apontar os erros dos outros antes de corrigir os seus. Ao falar isso, lembro você filho. Quando você chegou parecia uma pessoa muito inteligente – aliás, os inteligentes têm a solução para tudo sem pensar que nem toda solução satisfaz a todos – mas a inexperiência para conduzir ações que envolvam pessoas diferentes, com sentimentos e anseios diferentes, sempre trará complicações. Ao se relacionar com outras pessoas é necessário que o homem saiba que relações interpessoais não é um jogo de futebol, onde os adversários buscam a todo custo a vitória – o empate é o imprevisto no jogo – aqui o ideal é o empate, pois este indica o equilíbrio entre as pessoas e as pessoas equilibradas estão sempre prontas a ceder para alcançar um resultado equilibrado nas relações interpessoais.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A obra da criação é de Deus, mas a obra da destruição é nossa e precisa parar.

 Durante Quaresma a Igreja Católica realiza a Campanha da Fraternidade, isso vem acontecendo há anos, porém não conheço resultados concretos dessas campanhas passadas, se ficaram alguns são tão pequenos que mal se consegue sentí-los. Nesse ano, a Campanha da Fraternidade foi uma demonstração de que a Igreja está chamando mesmo os Cristão para a responsabilidade com a "Vida no planeta". Na minha comunidade realizamos os cinco encontros programados, e o que mais me chamou a atenção foi a leitura do primeiro encontro, não que as outras não tenham sido interessantes, mas a primeira me atraiu pela ênfase à contemplação.
 Ora, um momento de contemplação da Obra da Criação, nos levará a uma pergunta: quem fez tamanha maravilha? A resposta virá de duas vertentes distintas: a dos incrédulos e a dos céticos. Os incrédulos apostarão na teoria da evolução e afirmarão que Deus não existe, tudo o que contemplamos é resultado da evolução. Os céticos dirão que é obra de Deus, mas se eles afirmam que é obra de Deus, por que céticos? Por que não fiéis ou crentes?
Porque eles afirmam que é obra de Deus, mas ficam nas palavras, quando são chamados a provar com atos, discutem....discutem.... discutem e ficam na dúvida, discutem novamente e afirmam, voltam a discutir e negam, se discutirem outra vez, volta a dúvida e... isto é ceticismo.
Então precisamos, incrédulos e céticos, compreender que a obra, seja de Deus ou da evolução, está precisando de ações capazes de frear o descontrole ecológico que estamos provocando, aliás se não somos capazes de crer na obra da criação e atribuí-la a Deus, precisamos ser, pelo menos, capazes de assumir que a obra da destruição é nossa. E esta precisa parar.