sábado, 14 de maio de 2011

Como a Escola é uma Instituição Social, o fracasso é da Sociedade não da Escola


É de conhecimento de todos que precisamos melhorar a qualidade da educação no Brasil. Todos os medidores de índice mostram o baixo rendimento dos educandos nas escolas públicas de todo o país. Em todas as áreas pipocam críticas aos professores – algumas levianas – como se sobre eles recaísse toda a responsabilidade por esse fracasso. Advogados, juízes, promotores, jornalistas, e quaisquer pessoas que se sintam no direito de cometer um erro, quando não sabem onde fazê-lo, procuram a Educação e dessem o “cepo” na Escola e nos professores, mesmo que da “missa não saibam um terço”, só não consigo compreender por que não conseguem abrir suas mentes e dirigir suas críticas nefastas e sombrias para o tratamento que o poder público dá para o ensino público brasileiro. Discursos demagógicos preenchem o ideário dos políticos em todo o país, salários defasados e escolas sucateadas; Estados não municipalizam o Ensino Fundamental para não perderem recursos das cotas do FUNDEB; deixam a míngua o Ensino Médio que é da sua responsabilidade e investem no Ensino Superior que é da responsabilidade da União, isso cria um ciclo vicioso: o sucateamento das escolas do Ensino Fundamental e Médio com péssimas condições de acesso e de permanência, compromete a formação básica do jovem que chegará à Universidade com deficiências gravíssimas na formação básica, mas é este mesmo acadêmico com formação básica deficiente que, em quatro anos, voltará para as escolas para formar futuras gerações com deficiências na formação básica para ingressar na Universidade. Esse círculo vicioso está instalado e consolidado no Sistema Público de Ensino Brasileiro apoiado no que alguns já chamam de “pacto da mediocridade”: o professor finge que ensina, o aluno finge que aprende, o governo finge que paga e a sociedade finge que aceita. Agora eu lhes pergunto: por que é só o professor que tem que carregar esse pesado fardo?
No dia 06 de abril de 2009, quando da apresentação do Jornal Hoje, da Rede Globo, Sandra Anhemberg e Evaristo Costa, ao apresentarem uma matéria sobre o uso de aparelhos eletrônicos na sala de aula, Evaristo disse que na época dele na escola aquilo era uma falta de respeito com o professor. Ora se o Evaristo Costa e seus colegas de sala de aula pensavam assim, eles estavam em consonância com a minha época, mas em desacordo com o que pensam os alunos de hoje. A principal característica dos alunos de hoje – no Ensino Médio – é a recusa ao ato educativo. Você consegue pensar quão difícil é educar alguém que não quer ser educado? No Ensino Fundamental o maior problema é a falta de acompanhamento dos pais, pois eles pensam que como já que deixaram os filhos na escola, a responsabilidade é exclusivamente dela. Mas esse não é o nosso principal problema. O principal problema é de onde advém isso. Naqueles tempos do Evaristo a função do professor era oferecer a educação escolar, a educação familiar vinha de casa, hoje o professor tem que assumir a paternidade dos alunos porque os pais precisam sair de casa para trabalhar e isso é culpa da sociedade que, com um discurso sobre o crescimento do bolo para depois distribuí-lo, cuidou apenas de fazê-lo crescer, mas na hora de distribuir abandonou os que contribuíram com o que de mais precioso têm: a sua força de trabalho. É esse contribuinte que constituiu na mais profunda humildade da sua pobreza, uma família que ora vê-la desestruturada, abandonada na periferia, sem os benefícios do bolo construído.
Visitem-nos sempre.
Vez em quando haverá tempo para postar críticas como esta.

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